domingo, 7 de maio de 2017




a paul auster
coagula e em frente
não finja o desespero
que não teceste
na ranhura de terra
e lama seca


corta a carne no lugar certo
mastiga o fígado de pedra
que te leva
e te protege
do frio que não mata.

quinta-feira, 27 de abril de 2017





arrastava-se uma tarde 
de sol e de nuvens
a moça de pele atada
e sorriso fácil
não via as paredes se comprimindo
a sutileza se movimentando
no caderninho em cima da mesa
seguia a tarde impalpável
amena 
o par de cadeiras juntas e vazias
curioso
como suas sombras se tocavam no chão
as sensibilidades se fundem
suspiros e versos.


(sidney machado e tayná wolff)

sábado, 15 de abril de 2017





propósitos e álcool
eternos vislumbres e acrobacias
da anca para a nuca
estudos de gestos, ocasiões e relevos
para que não sucumbas
em preâmbulos e tabelas.
para que percebas
a moeda de troca,
o contrato eterno que assumes
sem perceber a forma, a palavra
e as imagens ocultas naquele rosto.  
para que sejas isso:
enigmas, luzes e entreatos
nos olhos e nas mãos.

segunda-feira, 10 de abril de 2017





aquele tropeço de tempo
aclimatizando o contraste das margens
em teu colo,
interior de matéria intercambiável,
guizo de desenho antigo


a risada ao alcance 
e acalentando o parapeito das costas,
plumas de memória, 
bordas e balanças
algo se encontrando
e revestindo os troncos, 
ambos se abrindo


agora findo em teus ciclos,
horas e alcances.

terça-feira, 4 de abril de 2017




hiato e distúrbios no segundo 
de através
fendas adquiridas em espaços
de caixas e invenção
dimensões e distâncias
ao sussurrar o inefável
no recuo do substantivo
nas interfaces atualizadoras das orações.





com ascendente em câncer 
nervos vertidos em capricórnio 
pele de terra
possibilidades com aquário e peixes
nuvem também é corpo
sangue carrega libra nos ombros
gêmeos observa e matuta
boca não tem nome
dente é quase uma vida
e língua é sempre língua 
metáfora e mais ainda.



as horas não diluíram pelos e cabelos
no sofá da sala.
janelas, resposta da varanda e do dia. 
pernilongos nem dão as caras 
ao redor e por entre. 
formigas sempre caminham 
e caminham 
e quando erram o caminho 
chafurdam na mobília e sobem perdidas 
nos aparelhos. 
existe algo até onde não tem nada. 
o papel da lâmpada é mostrar
a trilha que nunca esteve nesses lábios,
ainda que misturada
no café que ainda nem bebi.
só mantenho entre os dedos.